
Eis que me corrói esta louca vontade
De devorar num lance minha vida inteira
Descontrolar meus freios em plena ladeira
Não levar em conta sinais ou barreiras
Atropelar nas curvas a moralidade
Invade-me o corpo, delirante febre
De subir nos postes e gritar aos ventos
Resumir a um, todos os momentos
Deixar explodir todos meus tormentos
E me vingar do mundo num ato célebre
Eis que no momento justo de ebulição
Quando se faria inevitável fatal explosão
Quando romperia as grades, correntes e cercas
Atacaria aqueles que me acuaram
Invadiria as casas dos que me roubaram...
Lembro de todos que me são caros
Lembro-me de momentos raros
Vejo fotos, sinto cheiros, acendo um cigarro
Clico o pause, desabo, tomo um café
Clico o pause e continuo, reencontro a fé.
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