segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Desejo Insano


Quero fazer poesia em você
De todas as formas possíveis e imagináveis
Com todas as rimas
De formas milimétricas, ou quem sabe sem forma alguma

Aspergir meus versos por seu corpo inteiro
Deixar fluir minhas palavras ensandecidas
Meus desejos expressados em verbos, substantivos
Escrever inspiradamente todos os seus adjetivos
Em cada parte de sua pele
Ou quem sabe declamá-los ao pé de seu ouvido.

Quero poetizar você
Descrever em cada verso suas curvas
Seus sons, suspiros, tremuras
Eternizar em palavras cortantes
A doçura dos seus lábios
O calor dos seus seios

Sem palavras, me calo
Escrevo poesia apenas com o olhar
Tento dizer com meu brilho
O que em versos não logro expressar.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Reflexos


O real mais abstrato.
Multidão inerte diante dos olhos
Inférteis de sonhos,
Estéreis de novos amores

Não brotam,senão ilusões.
Visagens que habitam meu interior.
Quando olho as feições,
Nada é novo. É sempre o mesmo amor

Fantasma delirante
Que vive a me iludir.
Face constante
Em todas as faces a se refletir

Não existe multidão.
Existe o rosto amado
Guardado no coração
De um ser apaixonado.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Poetas são estrelas




Os poetas são estrelas

Suas palavras são cometas

Suas idéias, cósmica poeira


Sua energia, trincheira

Sua presença, fronteira

Seu olhar, luzeiro

Seu versar, aguaceiro

Que jorra seu peito

Como turbilhão a nos levar

Com seu pensar perfeito

E sua luz estelar


As noites de meu céu

São mais lindas

Todas as vezes que brilham

Suas palavras bem-vindas.

sábado, 20 de agosto de 2011

Destino



Sonhos mágicos:
Utopia

Fantasia lúdica:
Magia

Força do universo que conspira:
Energia

Todas as estrelas compõem:
Poesia

Viagem ao mar sem fundo,
Cumpria

Os meus em seus lábios sinto:
Nostalgia

Lembrança de um velho mundo,
Batia

Esperança de um mundo novo,
Esquecia

Sua alma em minha alma e corpo,
Teria

Meu corpo ao seu corpo e alma,
Daria

Meu sonho seu lindo sonho,
Seria

Seu sonho meu sonho eterno,
Faria

Nascer ao seu lado sempre:
Queria

Morrer com você por perto:
Sabia!

Seu corpo quente a aninhar minha alma
Já fria.

domingo, 14 de agosto de 2011

Reverso do Medo

Não temo o medo no teu olhar
Ao perceber no meu mirar
O desejo ardente de devorar!

Não temo a gostosura de nossas bocas
Deliciando-se feito loucas
Engolindo-se uma a outra

Também não temo o furor do meu sexo
Amainado pelo teu amplexo
Ainda mais furioso e desconexo

Temo menos ainda a igualdade de nossos desejos
Que na unidade de tantos anseios
Tornam-se ímpares devaneios!

Não temo.
Desejo.
Espero.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Cicatriz em Porcelana



Só descobre a profundidade quem mergulha
Limites só existem quando testados
Desilusão só existe pra quem sonha
Não é vida o apenas imaginado.
 
A vida não pode ser como porcelana
Cicatrizes são a beleza da existência.
São carimbos de erros,
Selos de vitórias.
Livros de ensinamentos
Com páginas de quedas e glórias.
Se ainda doem, não são apenas cicatrizes.
São feridas mal curadas
Que sangram infelizes
Nas horas mais inesperadas.

Viverei, pois, no limite
Mergulharei no inexplorado
Escreverei algo que imite
O mais cicatrizado porcelanato.

domingo, 19 de junho de 2011

Magnético


Quero o silêncio das nuvens que passam
A beleza do vento que as move
A melodia dos pássaros que cantam
O cheiro de terra quando chove

Quero o brilho do olhar amado
O cheiro de palavras doces
A alegria de ser encontrado
Quero poesia em todas as noites

Quero ser desejo realizado
Ser abrigo em dias de tempestade
Um mistério desvendado
Ser motivo de felicidade

Quero tudo e não sou nada
Quero nada e tenho tudo
Quero luz na minha estrada
Quero um mergulho bem profundo

Quero ser magnético
Desviar-te de teu caminho
Com meu versar poético.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Ponto de Ebulição - aos filhos do bullying


Eis que me corrói esta louca vontade
De devorar num lance minha vida inteira
Descontrolar meus freios em plena ladeira
Não levar em conta sinais ou barreiras
Atropelar nas curvas a moralidade

Invade-me o corpo, delirante febre
De subir nos postes e gritar aos ventos
Resumir a um, todos os momentos
Deixar explodir todos meus tormentos
E me vingar do mundo num ato célebre

Eis que no momento justo de ebulição
Quando se faria inevitável fatal explosão
Quando romperia as grades, correntes e cercas
Atacaria aqueles que me acuaram
Invadiria as casas dos que me roubaram...

Lembro de todos que me são caros
Lembro-me de momentos raros
Vejo fotos, sinto cheiros, acendo um cigarro
Clico o pause, desabo, tomo um café
Clico o pause e continuo, reencontro a fé.